sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Semanário 6


Ensino Clínico de Enfermagem Médico-Cirúrgica II
Mariana Liberdade Oliveira Guimarães, nº22108

Semanário 6:
Semana de 17 a 21 de Outubro de 2011

            Esta nova semana correu, na generalidade, muito bem.
            Faltam apenas mais 3 semanas de estágio, sinto-me um pouco frustrada, desde que vim estagiar para gaia que tudo parece que passa a correr, chegamos à segunda feira e de repente já é sexta feira, o horário é muito agradável, apesar de sair por volta das 6 horas de casa, a tarde dá-nos tempo para fazermos muitas coisas, mas mesmo assim a vida parece que está a correr muito depressa e isso assusta-me! Assusta-me imenso, também o tempo não ajuda, continuamos com sol e é complicado mentalizar-me que já estamos a 21 de Outubro, não tarda é dia de abandonar a Medicina 3, o meu primeiro lugar de estágio que me fez sentir em casa.
            A nível pessoal passadas 6 semanas já surgiram algumas situações, já me identifico com alguns enfermeiros do serviço, adoro trabalhar com a Enfermeira Ana Paula Soqueiro e com a Enfermeira Sara Brites, a maioria dos enfermeiros do serviço conquistou o meu respeito, porque eu acho que as pessoas devem conquistar o respeito das outras, apesar de estarem numa posição hierárquica superior, porque tenho consciência que sou mera estagiária no meio de enfermeiros com muitos anos de prática, mas as pessoas tem de se fazer respeitar e não obrigarem as outras a respeitarem-nas simplesmente, e a meu ver há pessoas que não estão receptivas aos estagiários, eu imagino que seja desconfortável ter alguém a perguntar: «e isto?», «e aquilo?» e «porquê?», e não sei como seria a minha atitude perante um estagiário, mas acho que um esforço de vez em quando era algo produtivo para mim e para esses enfermeiros, porque ninguém sabe o futuro, e se um dia assim por muita coincidência eu vá trabalhar para o mesmo serviço dessa pessoa é sempre benéfico eu ter tido bases nos meus ensinos clínicos, porque me tornará no futuro numa melhor profissional, uma melhor colega, uma colega capaz!.
            Esta semana trouxe-me muitas dúvidas, porque sinto que em muitas situações uns dias lido com gregos e noutros dias lido com troianos, e como não podemos agradar a gregos e a troianos, e os gregos e os troianos se revezam nos turnos é complicado lidar com isto, um grande exemplo são as notas de enfermagem, EXEMPLO 1 optimizar sonda nasogástrica, presença de sonda nasogástrica por ausência do reflexo de deglutição, no primeiro dia pedem-me isso nas notas, no segundo dia eu coloco, ao terceiro dia já vem outro modo de corrigir e já diz que só é preciso colocar uma vez, no quarto dia já não ponho e voltam-me a pedir, no quinto dia, volta a ser a pessoa do dia 3 e eu já não coloco porque sei que não quer isso, mas é complicado sentir que temos de fazer dum jeito com uma orientadora e com outra de outro modo, se o objectivo é tentar ao máximo uniformizar os cuidados de saúde, não consigo perceber esta situação. EXEMPLO 2 doente com fralda devido a incontinência urinária, uns dizem põe que eu quero e outros dizem que não é assim.
            Terça-feira tive uma discussão produtiva, tive a iniciativa de excluir a utilização dum Tielle numa ulcera de pressão de categoria dois em boas condições de cicatrização e perante uma discussão concluímos que devia de ser utilizado ulcerase numa ulcera de pressão de grau 4 exsudativa com tecidos de granulação e fibrina mas na quarta-feira voltei a ter a mesma discussão e já me disseram que não que não era para usar ulcerase, por acaso já o haviam retirado do protocolo, mas este fim-de-semana vou averiguar com muita calma essa situação, porque não posso concluir num dia que se usa e no outro concluir que afinal não se usa com a ferida na mesma situação! Eu gosto de encontrar a lógica das coisas e não consegui atingir, no fim de semana com muita calma, vou pensar e debruçar-me bem sobre esse assunto.
            Esta semana fui repreendida pela enfermeira chefe por uso de luvas em excesso, porque depois faltam luvas nos carrinhos, no primeiro ensino clínico nós éramos 8 numa enfermaria e usávamos em media 5 a 6 pacotes de luvas por turno e sabendo que já não uso metade das luvas que usava, nem por sombra, irrita um pouco, é que aceitava de bom grado que me repreendesse por andar com luvas fora da unidade do doente, mas nem eram as luvas de contacto com o doente, mas aprendi a lição.
            Esta semana colhi o meu primeiro sangue, eu vou repetir, fiz a minha primeira colheita de sangue, nem no ensino clínico nem na escola tinha colhido sangue, …, mas correu tão bem, a Enfermeira Sara Brites disse-me da colheita e eu fui sincera e disse-lhe que nunca tinha colhido, então ela ficou a minha beira, esteve-me a ajudar a sentir as veias, e depois piquei, com uma facilidade tão grande, sem tremer, sem medo, simplesmente pareceu natural, e eu senti-me tão bem por isso, eu quero muito ser enfermeira, foi uma paixão que me surgiu depois de ter estado no pré-hospitalar, antes disso eu abominava saúde, médicos, hospitais, saaaaaaaaaangue…, mas gosto tanto e sinto-me tão bem no hospital, eu sei que consigo interagir com os doentes e criar empatia, mas sou muito ansiosa e tenho muito medo de errar, alguém que admiro por me incentivar o meu sexto sentido, o pensamento, disse-me que só não erra quem não faz, quem não arrisca, eu sei bem disso, mas tenho medo de não conseguir fazer as coisas, as técnicas, aquelas coisas que devíamos saber fazer.
            No ensino clínico anterior, depois da avaliação intermédia, eu passei por uma fase muito complicada, queria desistir da enfermagem, desistir de tudo, durante a avaliação tinham-me dito que eu tinha uma grande capacidade de interacção com o doente e na semana seguinte tive 5 doentes em 4 manhãs, um com o qual mal consegui falar porque descompensou que teve de ir para os cuidados intermédios, mas o grande drama, foi um doente que me passou o turno todo a vomitar e não quis tomar banho nem eu o consegui convencer e a família quando chegou teve uma atitude menos positiva até chamou o enfermeiro chefe e eu realmente quis desistir porque pensei se a única coisa que eu tenho capacidade de fazer não fui capaz, foi frustrante e deixou-me completamente deprimida, esta semana ter um doente afásico foi positivo, depois da avaliação intermédia o doente não se pode recusar a tomar banho,…, mas realmente é um problema meu de atitude, sou insegura e então quando me sinto mais intimidada tremo toda.
            Vou ter uma certa vergonha de afirmar isto, mas aspirar secreções não me aflige minimamente, ver e ouvir outros a aspirar faz-me sentir nauseada, mas eu própria a aspirar o doente e depois ver melhorias na sua respiração faz-me sentir bem, é incomodativo ver a reação inicial do doente, aquando aspirado, mas depois vemos alívio e isso faz-me sentir bem, e torna o procedimento tão tolerável como outro qualquer!
            Esta semana, não surgiu o anterior dilema de fazer ou não a prega ao injectar heparina, mas se surgisse eu diria que após pesquisa e leitura da bula da heparina no guia farmacológico do enfermeiro, lá fala em fazer a prega, logo eu devo fazer a prega, pode ser ainda mais traumático para o doente, mas é algo necessário.
            Algo que me incomoda muito é só haver uma toalha durante o banho, incomoda-me muito, porque se estamos a dar banho à pessoa para remover células mortas, microrganismos, bactérias e afins e depois a vamos secar com o lençol sujo (cheio de bactérias e células e suor e afins) é muito contraditório e pouco higiénico, vamos voltar a colocar no doente lavado tudo o que fomos retirar no banho, então qual é o objectivo do banho? Se eu que estou saudável elimino tantas toxinas e afins através do suor um doente ainda elimina mais, é como por exemplo usar um campo estéril e usar as mãos com luvas limpas directamente no campo! É contraditório e não tem nexo, porque há muito material que é usado em demasia como por exemplo duas fraldas em doentes que urinam muito e toalhas só haver uma, é algo que acho estranho, porque uma maquina que lava 10 toalhas também lava 11, um pacote de fraldas fica mais caro e só traz mais x fraldas, depois as fraldas são descartáveis e as toalhas já não, já dão para lavar e voltar a usar, logo fica sem duvida mais barato usar apenas uma fralda e ter mais umas toalhitas…
            Outra coisa que me apercebi é que é difícil cuidar de doentes não nos sentindo bem, eu hoje, sexta feira, estava enjoada, cheia de náuseas e tonturas e a verdade é que o que me apetecia era estar eu na caminha a melhorar do que estar a cuidar de outras pessoas, que também precisam de um sorriso, de um carinho, de uma palavra amiga, isso só me vem mostrar cada vez mais que para ser enfermeiro é necessário ter uma capacidade psicológica e emocional muito grande.
            Não partilho da opinião de que há turnos em que não aprendemos nada, todos os turnos para mim são uma lição, porque em todos os turnos faço por aprender, ou algo sobre mim, ou algo sobre o doente, ou mesmo algo com um doente, porque estamos numa medicina e todos os nossos «jovens» tem uma grande experiencia de vida, e se soubermos sorrir-lhes na altura certa, eles dão-nos conselhos e exemplos para a vida, mesmo sem pedirmos.
            Em suma, penso que foi uma boa semana. Cada vez evoluímos mais o que se vê na nossa forma de agir e na ausência de problemas ou incidentes ao longo do turno.

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Saudações Negras

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